MORRISSEY, AINDA ÉPICO EM CENA

4 de dezembro de 2018

Com show vigoroso, cantor britânico mostra relevância artística do alto de mais de três décadas de carreira

Por Calos Eduardo Oliveira

Quando seu público amadurece junto com um autor, via de regra isso sinaliza consistência ao longo da carreira. Bem, décadas atrás, nas primeiras apresentações de Morrissey no Brasil, não faltavam êmulos de seu famoso topete da época dos Smiths. É bem provável que muitos desses admiradores estivessem entre as seis mil almas que encheram o Espaço das Américas na noite do último domingo.

Um público maduro para um show idem – Morrissey entrega um rock, digamos, “adulto”. Mas é rock. E do primeiro escalão.

As digitais do entertainer da noite já se faziam notar no hall de entrada – de quiosques da Sociedade Vegetariana Brasileira a um comitê angariando assinaturas para o PETA (ONG em prol dos direitos dos animais).

Da mesma forma, um clipe de David Bowie (“Rebel Rebel”) e imagens do escritor iaque James Baldwin precedem um Morrissey já de cara com o público “na mão” ao som de “William It Was Really Nothing” (Smiths) e, na sequência, a pungente “Alma Matters”.

Com muito vigor físico em cena e a força de um registro vocal poderoso, o cantor parece cortar na própria carne ao interpretar com naturalismo e sem artificialidades letras diretas e pessoais, confessionais até.

Muito da força da apresentação vem da banda coesa que o acompanha, em especial, o duo de guitarras entre Jesse Tobias e Boz Boorer – este, parceiro de longa data e coautor de algumas das canções de Low in High School, de 2017, que pautam o show e a turnê, casos de “I Wish You Lonely” e “Spent the Day in Bed”  (literalmente, “passei o dia na cama”).

“O álbum foi bem nas paradas do Reino Unido. Mas vocês não vão comprar, não é”?, brincava o cantor, nos intervalos entre músicas – ocasiões em que até assinou autógrafos para o pessoal do gargarejo.

Enquanto o cover de “Back on the Chain Gang”, dos Pretenders, e o clássico dos Smiths “How Soon is Now” instalam catarse no público, a circunspecta “Munich Air Disaster 1958” reverencia (em imagens, inclusive) os jogadores do Manchester United que morreram no referido acidente aéreo nos anos 50. Já a densa “Bullfighter Dies” (“o toureiro morre”) praticamente comemora, entre cenas abjetas de touradas no telão, as ocasiões em que toureiros levaram a pior.

O gran finale vem no bis emocionante com “Everyday is Like Sunday” e “First of the Gang to Die” – Morrissey rasga a camisa e, prestes a assoprar 60 velas, exibe forma física bem razoável. Um fecho grandioso para a prolífica temporada de shows internacionais de 2018.

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