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A origem do folk rock em 3 músicas de 1964 e 1965

A origem do folk rock em 3 músicas de 1964 e 1965

14 de outubro de 2026
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Um integrante dos Animals confessa que a banda pegou o arranjo de Dylan na cara dura, e Dylan nem reconheceu a própria música na versão dos Byrds. Quem copiou quem?

Quem inventou o folk rock? A resposta de manual é Bob Dylan, ao ligar uma guitarra elétrica no festival de Newport, em 1965. Os registros contam uma história mais embaralhada, em que cada um pegou emprestado de outro.

Esta lista reúne as três gravações, feitas de maio de 1964 a janeiro de 1965, em que o folk ganhou banda elétrica e chegou às paradas. A ordem é cronológica, porque posição seria palpite. No caminho, aparecem um arranjo com três donos possíveis e uma música gravada duas vezes em dois dias, e tudo começa com um pedido feito num bar de Nova York.

The Animals: “The House of the Rising Sun” (1964)

1º lugar no Reino Unido (julho de 1964) e nos EUA (setembro de 1964) · single de junho de 1964

Dylan, ainda um iniciante, pediu ao cantor Dave Van Ronk licença para gravar o arranjo que ele fazia de uma velha balada folk. Van Ronk conta a cena na autobiografia The Mayor of MacDougal Street. Dylan gravou, e Van Ronk deixou de tocar a canção, porque o público passou a pedir “a do Dylan”.

Dois anos depois, os Animals, banda de Newcastle em busca de uma música diferente, ouviram o disco de estreia de Dylan e levaram o arranjo para o estúdio. O baterista John Steel não disfarça ao jornal australiano Newcastle Herald: “Nós pegamos do primeiro disco do Bob Dylan”.

Steel lembra que a gravação saiu em mono e numa tomada só. O guitarrista abre com um arpejo em lá menor que o tecladista Alan Price achou brega, mas é o órgão de Price que entra depois e toma o solo. O compacto saiu inteiro, com 4 minutos e 29 segundos, por decisão do produtor, segundo Steel. No fim, o crédito de arranjador ficou com o homem que achou o arpejo brega.

Tempos depois, Dylan contou a Steel que ouviu a gravação no rádio do carro e sentiu uma lâmpada se acender. O arranjo que Van Ronk dizia ser seu tinha dado a volta e chegava de novo a Dylan, agora com órgão e bateria. Poucos meses depois, ele marcou estúdio em Nova York para gravar um disco com banda.

Bob Dylan: “Subterranean Homesick Blues” (1965)

39º lugar nos EUA, o primeiro Top 40 de Dylan · single de março de 1965

Mas o primeiro dia de gravação de Bringing It All Back Home não teve nada de elétrico. Em 13 de janeiro de 1965, Dylan gravou a música sozinho, com violão, e essa versão só saiu em 1991, na coletânea The Bootleg Series Vols. 1-3. No dia seguinte, com uma banda de estúdio, veio a versão que foi para o disco.

Em vez de melodia, Dylan despeja os versos em rajada, no ritmo do talking blues, o blues falado, sobre uma base de rock. As palavras são de cantor de folk, e o chão debaixo delas já é de rock.

O clipe, que abre o documentário Don’t Look Back, mostra Dylan virando cartazes com palavras da letra, numa tomada só, enquanto a gravação toca. É um dos primeiros exemplos do que depois se chamaria videoclipe. Seis dias depois da gravação com a banda, uma banda de Los Angeles gravou outra canção do mesmo disco, ainda inédita. Dylan não estava lá.

The Byrds: “Mr. Tambourine Man” (1965)

1º lugar nos EUA (junho de 1965) e no Reino Unido · single de abril de 1965, o primeiro da banda

Dos cinco integrantes dos Byrds, só um tocou na gravação que deixou a banda famosa. O produtor desconfiava do que o grupo sabia fazer em estúdio e chamou músicos profissionais de Los Angeles para a base. A exceção foi Roger McGuinn, com a guitarra de 12 cordas.

O som que abre a gravação nasceu num filme. McGuinn passou a tocar a 12 cordas depois de ver George Harrison com uma em A Hard Day’s Night. Os Beatles lhe deram também outra lição, contou ele à revista americana Guitar Player: qualquer música em 4/4 viraria sucesso, e foi para esse compasso que ele rearranjou a canção de Dylan. A canção era de Dylan, e o timbre, de Harrison.

Quando Dylan foi ouvir o ensaio dos Byrds, a convite do empresário da banda, perguntou que música era aquela. “É uma música sua, cara”, respondeu McGuinn. Dylan não a reconheceu, mas aprovou, lembrou o guitarrista na mesma entrevista.

Foi em 25 de julho de 1965, no festival de Newport, em Rhode Island, que Dylan ligou a guitarra elétrica diante do público do folk. Tocou três músicas com a Paul Butterfield Blues Band, sob vaias cujo motivo ainda se discute. Voltou ao palco sozinho, com o violão, e encerrou com Mr. Tambourine Man, a canção que, um mês antes, chegara ao primeiro lugar das paradas americanas na versão elétrica dos Byrds. Quando ele chegou a Newport, a ponte já estava de pé, feita de empréstimos de lá e de cá.

Quem quiser mais folk tem hora marcada na Mundo Livre FM: toda quarta-feira, às 23h, é dia de Lady Folk na faixa especial da rádio.

A escolha das três gravações parte de matéria da Far Out Magazine, de 13 de outubro de 2026. Datas, créditos e falas foram reapurados em outras fontes.

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