Em 2000, a banda reuniu 27 primeiros lugares e vendeu 13,8 milhões de cópias em menos de dois meses. Por que tanta gente comprou músicas que já conhecia?
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Para montar 1, o produtor George Martin e os três integrantes vivos dos Beatles, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, usaram uma régua só: entrava toda música que tivesse chegado ao primeiro lugar da parada britânica ou da Billboard, a americana. A régua teve exceção. For You Blue, de Harrison, liderou a Billboard em lado duplo com The Long and Winding Road e mesmo assim ficou de fora.
Mesmo com a exceção, o disco chegou às lojas em 13 de novembro de 2000, com 27 músicas lançadas entre 1962 e 1970, todas já conhecidas. A novidade era outra: pela primeira vez, os primeiros lugares da banda cabiam numa coletânea de um CD só, com as faixas remasterizadas para a ocasião.
Até ali, os hits viviam espalhados. Nos primeiros anos, lembrou Martin na série documental Anthology, a banda guardava as melhores músicas para os singles e deixava o resto para o álbum, e por isso os maiores sucessos muitas vezes ficavam fora dos discos de estúdio. Quem queria juntar tudo recorria aos dois álbuns duplos de coletânea de 1973, o Vermelho, de 1962 a 1966, e o Azul, de 1967 a 1970.
A venda foi rápida. Em 2000, o disco vendeu 13,8 milhões de cópias no mundo e foi o quarto mais vendido do ano. No Reino Unido, estreou com 319.126 cópias na primeira semana e passou nove semanas em primeiro lugar. Nos Estados Unidos, foram 5,1 milhões de cópias nas semanas finais de 2000. Com o tempo, passou de 31 milhões.
Um disco, três edições
Em setembro de 2011, 1 voltou remasterizado e reentrou no top 10 do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Espanha. Em novembro de 2015, voltou de novo, agora como 1+. Giles Martin, filho de George, remixou as 24 faixas gravadas em estéreo, e as três primeiras são em mono. A edição trouxe também mixagens em som envolvente 5.1 e discos com vídeos restaurados da banda.
A lista de músicas era a de 2000. Mudaram o som e a embalagem, e o disco voltou ao top 10 nas duas ocasiões.
O molde pegou. A mesma lógica, de juntar só os primeiros lugares e destacar o número um no título, apareceu em ELV1S, de Elvis Presley, e em Number Ones, dos Bee Gees.





