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Jornalista cobra posição política de James Hetfield: “No rock não existe neutralidade”

Jornalista cobra posição política de James Hetfield: “No rock não existe neutralidade”

15 de outubro de 2026
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“Ou ele não entende de política ou não entende de rock”, diz a jornalista sobre o discurso do vocalista do Metallica em Las Vegas.

Crédito da Foto: Reprodução/Instagram e YouTube

Na noite de sábado (10), o público do Sphere, casa de espetáculos de Las Vegas, aplaudiu James Hetfield quando o vocalista do Metallica encerrou um discurso dizendo que “a agenda do Metallica é amor, energia e música pesada, baby!” Três dias depois, na terça-feira (13), a jornalista Rachel Sheherazade respondeu a ele em um vídeo no Instagram.

No mesmo discurso, sem citar nomes, Hetfield tinha dito que a banda não está ali “como alguns outros artistas, para influenciar vocês com suas besteiras”. Rachel leu o recado como posição política. Ela abre o vídeo com “Roqueiro apolítico, roqueiro neutro, roqueiro que não quer incomodar, roqueiro que não faz pensar deveria trocar de estilo musical” e dirige a conclusão ao vocalista, “ou ele não entende de política ou não entende de rock”.

O argumento dela é histórico. Para Rachel, o rock desafiou padrões morais e sistemas políticos, enfrentou o conservadorismo e denunciou guerras, racismo, desigualdade e abuso de poder. Ela cita quatro casos.

Em Sunday Bloody Sunday, o U2 denunciou a violência política na Irlanda do Norte. O Rage Against the Machine usou a música contra o racismo estrutural, a violência policial e a exploração dos mais pobres. Peter Gabriel homenageou Stephen Biko, ativista assassinado pelo regime do apartheid na África do Sul, e o Iron Maiden, em 2 Minutes to Midnight, criticou a corrida armamentista nuclear.

Rachel ponderou que o rock não precisa ter todas as respostas para os problemas do mundo, mas deve ter coragem de levantar questionamentos. A frase que fecha o vídeo é esta.

No rock, assim como na política, não existe neutralidade. Existe covardia e cumplicidade.

A regra e o repertório

O próprio Metallica já escreveu sobre política. Hetfield assina a letra da faixa-título de …And Justice For All, de 1988, que trata de corrupção no governo e de falhas da justiça. O nome vem das últimas palavras do juramento à bandeira que crianças americanas recitam na escola, “e justiça para todos”.

O disco não para aí. Segundo a revista americana Decibel, as letras tratam ainda da perda de liberdades civis, em Eye of the Beholder, e da comissão do Congresso dos Estados Unidos que investigava comunistas em Hollywood.

Dessa época veio One, o primeiro clipe da banda, com cenas de Johnny Got His Gun, filme de 1971 dirigido pelo roteirista Dalton Trumbo. Trumbo foi um dos dez profissionais de Hollywood que, em 1947, se recusaram a depor a essa mesma comissão e entraram na lista negra dos estúdios.

A guinada veio no disco seguinte, o de 1991. À Rolling Stone, Hetfield apresentou Don’t Tread on Me como reação ao que passou a achar um tom antiamericano exagerado no disco de 1988.

A regra aparece com todas as letras em abril de 2017. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, em Santiago, Hetfield foi perguntado sobre Donald Trump e respondeu que todo mundo tem opinião, mas a dele fica com ele. “Odeio política, não quero falar de política”, disse. “Isso separa as pessoas, e eu quero conectá-las com a música.”

Na mesma conversa, ao falar do equilíbrio entre esquerda e direita nos Estados Unidos, afirmou que “estar no meio é sempre o melhor”. Rachel fecha o vídeo com a frase contrária.

Em 15 de outubro, o vídeo somava 56,3 mil curtidas e 7,6 mil comentários. Na legenda, Rachel devolve a pergunta ao público: “Você acha que o rock precisa se posicionar?”

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