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Todos os discos de estúdio do U2, do pior ao melhor

Todos os discos de estúdio do U2, do pior ao melhor

16 de outubro de 2026
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Do álbum que a Apple deu de graça a 500 milhões de clientes ao que levou o Grammy de Álbum do Ano, a crítica ordenou os 14 discos de estúdio do U2.

Crédito da Foto: Reprodução/Viviane Sassen

Todo fã do U2 tem uma ordem de discos na cabeça, e a ordem da crítica, medida em notas, foi feita para ser contestada. Ela volta à mesa a poucas semanas de Carnaval de Luz, o disco novo de Bono, The Edge e companhia, marcado para 13 de novembro de 2026.

A ordem segue a nota média da crítica no site Album of the Year, consultada em 16 de outubro de 2026, e cobre os 14 discos de estúdio com material inédito, do pior ao melhor. Nos anos 1980 a base é pequena, de três a cinco resenhas. O caminho passa por um álbum gravado entre duas etapas de turnê, por outro lançado sem estar terminado e por um produzido por Brian Eno, o parceiro de David Bowie em Berlim, que mesmo assim ficou na parte de baixo. A contagem começa por um álbum que a Apple pôs de graça na biblioteca de 500 milhões de clientes.

14. U2: “Songs of Innocence” (2014)

Nota da crítica: 62 (30 resenhas) · lançado em setembro de 2014

No evento de lançamento do iPhone 6, na Califórnia, a Apple e o U2 anunciaram que o disco novo já estava na conta de 500 milhões de clientes do iTunes, em 119 países, sem que ninguém o tivesse pedido. Mais de um mês depois, Bono explicou aos fãs o que o levara àquilo: “uma gota de megalomania, um toque de generosidade, uma pitada de autopromoção”. As onze faixas, produzidas por Danger Mouse e outros nomes em alta, revisitam a adolescência do cantor em Dublin. A Apple teve que criar uma ferramenta para apagar o álbum; Bono já prometia um segundo.

13. U2: “Songs of Experience” (2017)

Nota da crítica: 63 (33 resenhas) · lançado em dezembro de 2017

“Esperem um segundo”, disse The Edge à Rolling Stone em janeiro de 2017, ao explicar por que o disco, já pronto, ia esperar depois da eleição presidencial americana. Bono voltou às letras, que também carregam um acidente de bicicleta, em novembro de 2014, e um susto com a própria mortalidade, no fim de 2016. Saiu um conjunto de cartas do cantor a pessoas e lugares que ama, com nove produtores creditados e nenhum deles era Eno. Trinta e seis anos antes, o mesmo cantor tinha escrito letras às pressas, por um motivo que cabia numa maleta.

12. U2: “October” (1981)

Nota da crítica: 65 (3 resenhas) · lançado em outubro de 1981

Em março de 1981, a maleta com os cadernos de letras de Bono sumiu dos bastidores de uma casa noturna de Portland, no Oregon. Quando o U2 entrou no estúdio de Dublin, em julho, o cantor escreveu boa parte das letras diante do microfone, a 50 libras a hora, enquanto três dos quatro integrantes dividiam o tempo entre a banda e um grupo cristão, o Shalom. Saiu um disco religioso, com versos em latim em “Gloria”. A maleta só voltou em 2004, achada num sótão no estado de Washington, e Bono chamou o retorno de “um ato de graça”.

11. U2: “No Line on the Horizon” (2009)

Nota da crítica: 69 (32 resenhas) · lançado em fevereiro de 2009

Em maio de 2007, em Fez, no Marrocos, o U2 alugou por duas semanas o riad de um hotel, uma casa tradicional de pátio interno, e a transformou em estúdio. Ali a banda gravou, em alguns momentos, com um tocador de oud, o alaúde árabe, e percussionistas locais. Eno e Daniel Lanois tinham sido convidados como coautores, e as sessões renderam de 50 a 60 canções, e o lançamento previsto para novembro foi adiado. É o primeiro dos seis discos com Eno que aparece nesta contagem e o de pior nota, o que mostra que o nome dele na ficha não basta.

10. U2: “Pop” (1997)

Nota da crítica: 73 (10 resenhas) · lançado em março de 1997

A turnê PopMart foi anunciada num Kmart de Manhattan, ao lado da seção de lingerie, e já estava marcada antes de o disco ficar pronto. Sem Larry Mullen Jr., afastado por uma cirurgia nas costas, a banda começou a gravar com samples, loops e bateria programada, ao lado de produtores ligados à música eletrônica. No meio do caminho, contou The Edge ao Chicago Sun-Times, “sentimos falta do som e da sensação de ser uma banda”. Os prazos engoliram o resto: o próprio U2 achou que o resultado não ficou como queria, e várias das faixas foram regravadas depois.

9. U2: “How to Dismantle an Atomic Bomb” (2004)

Nota da crítica: 74 (21 resenhas) · lançado em novembro de 2004

O pai de Bono, apaixonado por ópera, morreu em 2001, e o título do disco, que fala em desmontar uma bomba, era sobre ele. Na noite do Grammy de 2006, o cantor explicou: “ele era a bomba atômica em questão”. O álbum abre com a contagem em espanhol de “Vertigo”, que virou comercial do iPod, e guarda no terceiro lugar a canção escrita para o pai. Foi o Álbum do Ano naquela noite, o primeiro da banda desde The Joshua Tree, em 1988.

8. U2: “Rattle and Hum” (1988)

Nota da crítica: 76 (4 resenhas) · lançado em outubro de 1988

Um jovem diretor de cinema abordou o U2 sem ter sido chamado, em Hartford, em 1987, e propôs um documentário sobre a turnê de The Joshua Tree. O disco que acompanhou o filme mistura faixas de estúdio, gravações ao vivo e covers, e traz “When Love Comes to Town”, gravada no Sun Studio, em Memphis, com B.B. King na guitarra e na voz. Vendeu 14 milhões de cópias, mas o filme faturou 8,6 milhões de dólares, e a crítica viu uma banda se pondo ao lado dos mestres que homenageava. A reação empurrou o U2 para a reinvenção dos anos 1990.

7. U2: “All That You Can’t Leave Behind” (2000)

Nota da crítica: 77 (12 resenhas) · lançado em outubro de 2000

Eno e Lanois chegaram ao estúdio de Dublin antes do resto da banda, impacientes com uma canção que não andava, e assim começou “Beautiful Day”. Depois de Pop, o U2 tinha chamado a dupla de volta. Eno pôs na faixa uma base de cordas em loop, com som de máquina, e a guitarra de The Edge foi para o lado oposto, o do U2 clássico, como ele contou ao Chicago Sun-Times em 2001. Os prêmios vieram em dobro: sete Grammys em dois anos, e é o único álbum da história com duas faixas vencedoras de Gravação do Ano.

6. U2: “Boy” (1980)

Nota da crítica: 80 (5 resenhas) · lançado em outubro de 1980

Três semanas antes de o U2 gravar o primeiro disco, Bono escreveu “I Will Follow” do ponto de vista da própria mãe, que morreu em 1974, depois de passar mal no enterro do pai dela, quando ele tinha 14 anos. O produtor Steve Lillywhite, que achava o estúdio de Dublin abafado demais, tocou o glockenspiel do refrão. A faixa é a única que a banda tocou em todas as turnês desde então.

5. U2: “Zooropa” (1993)

Nota da crítica: 81 (5 resenhas) · lançado em julho de 1993

No intervalo de seis meses entre duas etapas da turnê Zoo TV, a banda entrou num estúdio de Dublin para gravar um EP e saiu com um disco. Eno e The Edge dividiram a produção com o engenheiro de som da banda, e o trabalho correu tão depressa que a mixagem terminou em viagens entre Dublin e as cidades da turnê. É o disco mais rápido da carreira, e fecha com Johnny Cash em “The Wanderer”: Bono gravou a própria versão e preferiu a de Cash. A pressa que faria mal a Pop, quatro anos depois, aqui funcionou. Era o quarto disco de Eno com a banda, e tudo tinha começado num castelo.

4. U2: “The Unforgettable Fire” (1984)

Nota da crítica: 85 (5 resenhas) · lançado em outubro de 1984

A gravadora resistiu à ideia de chamar Eno, que só aceitou o trabalho com a condição de ter Lanois como coprodutor. Em 7 de maio de 1984, a banda chegou ao Castelo de Slane, do século XVIII, a noroeste de Dublin: a sala de visitas virou sala de controle, e o salão de baile, sala de gravação. Dali saiu um disco de texturas próximas da música ambiente, e “Bad” nasceu de um riff improvisado numa jam, com Bono escrevendo sobre viciados em heroína de Dublin. Um ano antes, sem nenhum dos dois, a banda tinha feito um disco que a crítica avalia ainda melhor.

3. U2: “War” (1983)

Nota da crítica: 88 (3 resenhas) · lançado em fevereiro de 1983

Larry Mullen Jr. não queria saber de metrônomo. Para “Sunday Bloody Sunday”, Lillywhite pediu um click, o baterista recusou, e a marcha militar de caixa que abre o disco saiu sem ele; só depois de conhecer, por acaso, um baterista que jurava pelo recurso, Mullen passou a usá-lo no resto do álbum. Por cima, a guitarra de The Edge dispara em rajadas e um violinista que o abordou num ponto de ônibus completa a faixa. War tirou Thriller do primeiro lugar britânico, o primeiro número 1 do U2 no Reino Unido, e é o único dos cinco melhores sem Eno.

2. U2: “Achtung Baby” (1991)

Nota da crítica: 91 (9 resenhas) · lançado em novembro de 1991

O U2 chegou a Berlim no último voo para a parte oriental da cidade, em 3 de outubro de 1990, na véspera da reunificação alemã. As sessões nos estúdios Hansa, num antigo salão de festas das SS, correram tão mal que a banda quase se desfez, até “One” nascer de improviso. Segundo o próprio Eno, o seu trabalho era passar de tempos em tempos pelo estúdio para apagar tudo o que soasse U2 demais. The Edge contou em 2001 que, em algumas ocasiões, ele precisou ser “praticamente contido fisicamente” para não apagar. O primeiro lugar da tabela é o disco em que ele chegou mais perto de apagar de vez uma faixa inteira.

1. U2: “The Joshua Tree” (1987)

Nota da crítica: 100 (5 resenhas) · lançado em março de 1987

Eno chegou a pensar em fingir um acidente para apagar a fita de “Where the Streets Have No Name”, depois de semanas num mesmo arranjo que, nas contas dele, consumiu metade do tempo do disco inteiro. Não foi adiante, e a faixa abre o álbum com o som de uma sala: a bateria grande que se ouve ali vem de Danesmoate, uma mansão nos arredores de Dublin. O disco é dedicado ao roadie e assistente pessoal de Bono, morto num acidente de moto em Dublin, em julho de 1986, no meio das sessões. As cinco resenhas reunidas no Album of the Year dão 100, nenhum outro disco da banda passa de 91, e o Grammy de Álbum do Ano de 1988 foi dele.

Em 2001, The Edge contou que a banda avisou a Eno e a Lanois, logo no começo, que queria fazer um disco de U2, e All That You Can’t Leave Behind ficou em sétimo, atrás de quatro discos que a dupla ajudou a desmontar. Em 13 de novembro de 2026, Eno volta em três das 12 faixas de Carnaval de Luz, e a tabela diz que o nome dele só pesa quando a banda deixa.

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