Festival diz que cantor não foi condenado pelos crimes dos quais foi acusado e que sua participação veio junto com a turnê do Slipknot
Crédito da Foto: Reprodução/YouTube
A contratação de Marilyn Manson pelo The Town 2027 recolocou no centro da programação do festival o histórico de acusações que envolve o cantor. Manson e Slipknot foram anunciados para 4 de setembro, no Palco Skyline, com o primeiro como atração de abertura da nova turnê da banda.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zé Ricardo, vice-presidente artístico da Rock World, responsável pelo The Town e pelo Rock in Rio, explicou que Manson acompanha o Slipknot na excursão e foi contratado dentro dessa operação. Sobre as acusações, o executivo citou a ausência de condenação criminal pelos crimes sexuais atribuídos ao cantor como parte do critério usado pelo festival.
O argumento do The Town para contratar Marilyn Manson
Zé Ricardo reconheceu a controvérsia e declarou: “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada”. Segundo o executivo, a Rock World já deixou de contratar artistas em situações nas quais havia julgamento e condenação. A posição apresentada pela empresa, portanto, está baseada na distinção entre acusações e condenações.
Isso não elimina o histórico judicial de Manson. A partir de 2021, mais de uma dezena de mulheres o acusaram de estupro, agressão sexual, violência física e psicológica, coerção e intimidação. O cantor nega as acusações.
O que aconteceu com Marilyn Manson na Justiça
Em janeiro de 2025, a Promotoria de Los Angeles encerrou uma investigação de quatro anos sobre acusações de violência doméstica e agressão sexual sem apresentar denúncia criminal. O órgão informou que parte das alegações de violência doméstica estava prescrita e que não havia provas suficientes para sustentar acusações de agressão sexual além de dúvida razoável. Manson, portanto, não foi levado a julgamento criminal por essas acusações.
A situação na esfera civil é diferente. Esmé Bianco encerrou em 2023 um processo contra Manson por meio de acordo extrajudicial, sem julgamento das acusações. Já a ação movida pela ex-assistente Ashley Walters, que envolve alegações de agressão sexual, foi retomada na Califórnia após mudanças na legislação estadual. Um juiz marcou o julgamento por júri para 15 de novembro de 2027, embora a defesa de Manson tenha indicado que pretende tentar encerrar o processo antes dessa etapa.
Manson também recebeu, em 2023, 20 horas de serviço comunitário e multa após se declarar no contest a uma acusação de contravenção por ter assoado o nariz em uma cinegrafista durante um show de 2019. Esse caso não envolvia as acusações de abuso sexual.
Segundo O GLOBO, a investigação criminal encerrada em Los Angeles não produziu julgamento e a promotoria afirmou que não poderia apresentar acusações pelos motivos legais e probatórios citados. Ao mesmo tempo, o processo de Ashley Walters continua ativo e tem julgamento previsto para 2027. É nesse intervalo entre a ausência de acusação criminal, os processos civis ainda abertos e a decisão do festival que acontece a contratação de Manson para o The Town.
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