O médico diz que as pacientes geralmente não fazem essa pergunta, e a resposta passa por mamografia, genética e até pela academia.
Crédito da Foto: Fotografia feita no estúdio da Mundo Livre
Na última pergunta da conversa, feita ao vivo na Mundo Livre FM, o mastologista não citou exame nem sintoma.
A pergunta mais importante: o que eu posso fazer para reduzir o meu risco e para viver melhor?
Quem veio bater um papo com a Mundo Livre foi o médico mastologista Cícero Urban, cooperado da Unimed Curitiba e diretor da Escola Brasileira de Mastologia. Ele falou no ar na segunda-feira, 19 de outubro, ponto alto do Outubro Rosa, e disse que as pacientes geralmente não fazem essa pergunta. Para ele, caberia ao médico levantar o assunto.
Duas frentes de prevenção
Urban separa duas frentes. A primeira é diagnosticar o câncer quando ele já existe, e o exame fundamental é a mamografia. “Ela é recomendada por praticamente todas as sociedades médicas a partir dos 40 anos, que é o tempo onde nós vamos conseguir diagnosticar o câncer de mama antes dele ser palpável, antes dele se apresentar clinicamente.”
A segunda frente é reduzir a chance de o câncer aparecer, e nela entra um dado que o médico chama de recente. Em 2026, contou, saíram várias publicações e estudos sobre o tema, inclusive para quem já tem a doença. “Musculação três vezes por semana, ela reduz a chance de câncer de mama.”
O objetivo, explicou, é que a mulher ganhe massa magra e perca massa gorda. “Com a musculação, nós reduzimos a resistência à insulina e melhoramos uma série de outros fatores pra saúde. E um deles é o câncer.”

Uma mutação não é uma sentença
O terceiro nível de risco é o genético, e é onde o médico mais pede cuidado. “Ter uma mutação não significa que você vai ter o câncer.” A ideia contrária, que ele chama de determinismo genético, é comum. Urban lembrou o caso de Angelina Jolie, cuja mutação dava mais de 80% de chance de câncer de mama, e não 100%, nem mesmo nela.
Quando a apresentadora chamou de radical a decisão da atriz, o médico concordou só em parte. “Radical de contar pra todo mundo, mas correta do ponto de vista clínico, porque ela tinha uma história muito difícil do ponto de vista familiar.”
O teste, porém, não é para todas. Segundo Urban, quem deve fazê-lo é quem tem um histórico familiar que chame muito a atenção ou teve câncer de mama numa idade muito jovem, e algumas sociedades médicas recomendam o exame a toda paciente diagnosticada abaixo dos 50 anos. Há ainda um peso psicológico, porque tem gente que não consegue conviver com uma mutação que pode se manifestar a qualquer momento.
A regra que vale para o teste, segundo o médico, vale para toda a oncologia.
A palavra-chave hoje em oncologia é individualização. Cada paciente é um paciente diferente e tem a sua própria doença ou não, o seu risco, e isso deve ser individualizado pra que você possa oferecer o melhor pra ele, não algo como era no passado, que era quase que uma receita de bolo.
O mito que ele ouve todos os dias
Pedido para escolher uma ideia errada sobre câncer de mama para corrigir, Urban respondeu sem hesitar. “Que mamografia dá câncer.” Segundo ele, o mito circula na internet e nas redes sociais, onde há quem recomende outros exames porque a mamografia usa radiação. A dose, explicou, é tão baixa que a medicina nem a considera um risco.
O que mata, para o médico, é a falta de diagnóstico. “O câncer de mama é uma doença curável. Tem mais de 90, 95, até 100% de chance de cura. Agora, não ter o diagnóstico, isso sim mata.” Descoberta no começo, a doença também pede um tratamento mais leve, com cirurgia menos agressiva, às vezes sem quimioterapia e com radioterapia mais branda, além de menos dor e menos mutilação.
Urban abriu a conversa dizendo ser grande fã da rádio e fechou do mesmo jeito. “Muito feliz de estar com vocês aqui. Vou continuar escutando o rock and roll da Mundo Livre.”
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